porValdomiro Cardoso

ESCOLA INDÍGENA AGUSTINHO REALIZA MOSTRA CULTURAL

As oito escolas indígenas da região de Dourados desenvolvem durante todo ano de 2019, diversas atividades para valorizar os Saberes Indígenas na Escola em torno do tema gerador Tekoha Marane’y – Aldeia de Males.

No mês de novembro haverá uma grande mostra cultural de todos estes trabalhos na Escola Tengatui Marangatu. Na manhã de hoje (25), a escola que apresentou os trabalhos em preparação como, por exemplo, escrita e rescrita de livros de literatura indígena, grafismo, pintura, música e teatro.

A diretora da Escola, Fernanda Dourado, da etnia guarani, afirmou que a valorização da língua e dos saberes indígenas estimulam a potencialidade dos jovens indígenas, sua criatividade e dedicação aos estudos.

De acordo com a professora guarani Teodora de Souza, coordenadora do Núcleo de Educação Indígena da Secretaria Municipal de Educação, a educação escolar indígena vive um momento de afirmação étnica como resposta diante da verbalização e publicação de tantos preconceitos contra os povos indígenas e suas culturas que tanto contribuiu e ainda contribuem na formação da sociedade douradense e brasileira.

Esta e outras atividades nas escolas indígenas contam com o apoio do projeto Ação Saberes Indígenas na Escola e Tekoha Marane’y, desenvolvidos em parceria entre o Núcleo de Educação Escolar Indígena da Prefeitura Municipal, Missão Evangélica Caiuá, Associação Salvare e Faculdade Intercultural Indígena da UFGD.

porValdomiro Cardoso

COMAD REALIZA A V CAPACITAÇÃO PERMANENTE EM DOURADOS COM O TEMA “DROGAS E POVOS INDÍGENAS”

No dia 26 de setembro,  acontecerá a V Capacitação Permanente do Comad com o tema: “Drogas e Povos Indígenas”.

As palestrantes serão: Prof. Ms. Teodora de Souza (Pedagoga Indígena, Mestre em Educação e Coordenadora do NEEID) e Bárbara Marques Rodrigues (Picóloga do CRAS Indígena e Especialista em Impactos da Violência na Saúde).

O evento será no auditório da OAB/Dourados, localizado na rua Onofre Pereira de Matos, 1712,  Centro, CEP 79.802-010. Com início às 08h e término às 11h.

Os que comparecerem poderão receber certificação, caso solicitem.

Maiores informações no site: https://comaddourados.blogspot.com/

porValdomiro Cardoso

Ação de prevenção às drogas reúne mais de 600 crianças no Paranoá

Ação de prevenção às drogas reúne mais de 600 crianças no Paranoá

Com o objetivo de trabalhar a prevenção ao uso de drogas e substâncias psicoativas no âmbito escolar, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) promoveu nesta sexta-feira (15) a primeira edição deste ano do projeto “Ser Criança – Drogas Tô Fora” na escola Caic Santa Paulina, no Paranoá. A ação deu-se a partir de uma parceria das Subsecretarias de Enfrentamento às Drogas e de Políticas para Crianças e Adolescentes da Sejus, juntamente com a Associação Vila dos Sonhos e a Secretaria de Educação do DF.

O Ser Criança foi elaborado com o intuito de alertar e prevenir crianças e adolescentes, por meio de peças teatrais e brincadeiras lúdicas, sobre temas voltados ao combate às drogas e/ou qualquer tipo de abuso. Desde sua fundação, mais de 1 milhão de crianças já compareceram às apresentações. São 10 exibições semanais em cada colégio, de segunda a sexta-feira, uma de manhã e outra no período da tarde.

Para o secretário da Sejus, Gustavo Rocha, “prevenir constitui ação de inquestionável relevância nos mais diversos contextos sociais – escola, família, comunidade, empresa, dada a complexidade da questão e os prejuízos associados ao abuso e à dependência de substâncias psicoativas’, afirma o secretário.

O subsecretário de Enfrentamento às Drogas, Rodrigo Barbosa, destaca a importância do projeto e avalia como “meta prioritária” trabalhar essa temática com crianças de todo o DF. “Queremos ampliar a iniciativa e fazer com que a prevenção seja o principal foco. Vamos dar mais atenção às escolas prioritárias, aquelas que estão precisando mais da conscientização e que possuem mais ocorrência de problemas desse tipo”, afirma.

Por sua vez, a subsecretária de Políticas para Crianças e Adolescentes da Sejus, Adriana Faria, alerta para a urgência de tratar sobre o tema com crianças da educação infantil e do ensino fundamental. Ela destacou ainda a importância de as subsecretarias atuarem em conjunto.

“A Sejus trabalha em parceria. Como temos muitas áreas afins, não teria como atuarmos separadamente nessa questão. Vamos dar toda prioridade. Hoje, a gente vê um número muito alto de crianças se envolvendo cada vez mais precocemente com a drogadição. Então, o quanto antes fizermos essas intervenções, mais rapidamente conseguiremos afastá-las das drogas”, ressaltou.

 

Fonte: www.alo.com.br

porValdomiro Cardoso

Entrevista com Dr. Sérgio de Paula Ramos – “Maconha na adolescência é uma fábrica de losers”

Diário Catarinense
Por Larissa Rosso
Foto: André Ávila / Agencia RBS
Sérgio de Paula Ramos define a dependência química como o grande problema de saúde pública deste século
A dependência química é uma doença democrática, define o psiquiatra e psicanalista Sérgio de Paula Ramos, 67 anos. Atinge, na mesma medida, as classes alta, média e baixa. No país, 12% da população têm transtorno por uso de álcool; de 4% a 5%, por consumo de outras drogas; e dependentes de tabaco somam 13% dos brasileiros. É o grande problema de saúde pública deste século, segundo o médico, uma das mais destacadas autoridades no tema.

– E, com a legalização da maconha, tende a piorar o quadro – projeta Ramos, membro da Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina e do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas.

O psiquiatra, com mais de 40 anos de carreira, explica que a intervenção precoce é fundamental. Apesar de árduo, o desafio da recuperação, se encarado no início do problema, apresenta chances “fantásticas” de êxito. Ramos está habituado a lidar com jovens e observa as famílias, nos dias de hoje, mais atentas e capazes de reagir quando confrontadas com indícios de que algo não vai bem.

– Os pais não estão mais entrando naquela de “meu filho me disse que a maconha que eu achei na mochila é do amigo dele, e eu acredito no meu filho”. Eles já sabem que a maconha é do filho – exemplifica. – Maconha na adolescência é uma fábrica de losers. Tirar a cabeça da areia e enxergar a realidade é uma conduta que muda o futuro. Não dá para conviver com droga sem prejuízo. Droga nenhuma, em nenhuma dose, faz bem para a saúde. A partir de certa dose, dependendo da idade, começa a fazer mal.

Nesta entrevista, Ramos também revisita casos marcantes de sua trajetória, critica a indústria e a propaganda do álcool e comenta iniciativas de combate ao crack.

1. Em mais de 40 anos de carreira, o senhor já vivenciou muita coisa.

Me dediquei à clínica e à prevenção. Na prevenção, trabalhei em colégios, na propositura de programas de prevenção de consumo de drogas em diferentes níveis de governo. Sinto alguma frustração em perceber que, no Brasil, quem faz a política sobre drogas é a indústria. A primeira droga que o brasileiro usa, e lamentavelmente cada vez mais cedo, é o álcool. Uma criança que toma álcool aos 12, 13 anos vai experimentar maconha aos 14 e, aos 17, está na cocaína ou em drogas sintéticas. Está muito claro que se deve começar por uma política restritiva do álcool. Calcula-se que 8% do faturamento da indústria da cerveja provém da venda para menor de idade. Então, não se espere que a indústria seja aliada na erradicação do consumo de bebidas alcoólicas por menores. Não conseguimos mobilizar a opinião pública para se opor à indústria do álcool, poderosa, que está sempre mancomunada com a turma da publicidade, com os donos das grandes empresas de comunicação. Proibimos a propaganda do tabaco e deu certo. A propaganda de bebida é toda voltada para o público jovem. Você não vê velho tomando cerveja, você vê jovem, bonito, forte em situação lúdica, praia, festa. Isso vai incutindo na população jovem e de adultos, de modo geral, que não existe a possibilidade de divertimento sem álcool. Negando que, nos levantamentos nacionais, 48% da população adulta não bebe. Colocam na nossa cabeça que todo mundo bebe.

2. O senhor é contra a liberação da maconha.

Visceralmente contra. Há um movimento mundial, solidamente econômico – não está se discutindo ideologia ou direitos humanos, está se discutindo lucro. É o velho capitalismo selvagem em detrimento da saúde pública. Até três, quatro anos, era “eu acho isso, você acha aquilo”. Agora não podemos mais permanecer no achismo, já temos dados. Após a legalização da maconha no Uruguai, os homicídios praticamente dobraram. O consumo de maconha nos lugares do mundo onde ela foi legalizada praticamente dobrou. E, ao contrário da tese de que enfraqueceria o tráfico, fortaleceu-o. Então você vê que se tenta promover (a liberação da maconha) – às vezes até com o auxílio da mídia – sem uma reflexão. Mas e a população? Qual vai ser o custo desse novo tabagismo?

3. E qual é o custo para a população?

Terrível. Talvez uma das drogas mais deletérias para jovens seja a maconha. Em jovens, o uso de maconha está associado ao desenvolvimento de esquizofrenia, depressão e queda do rendimento escolar e acadêmico. Maconha na adolescência é uma fábrica de losers. Já existem muitos trabalhos mostrando que, se você usou maconha na adolescência, aos 25 anos vai ter menos diploma universitário, menos relações amorosas estáveis e menos emprego do que quem não usou.

4. Quais histórias mais o impactaram ao longo desses anos todos?

Vamos pegar três cases. Tínhamos ido ao Deserto do Atacama para fotografar. Na pracinha de São Pedro do Atacama, lá estava um jovem com a aparência de quem não via água há uns quatro meses, cabelo rastafári, as roupas muito sujas, emagrecido, costurando lantejoulas em uma camiseta. Paulista, (contou que era) estudante de Arquitetura da USP, que algumas coisas foram acontecendo na sua vida, começou a ver as coisas com mais clareza e descobriu sua vocação: morar lá e costurar lantejoulas em camisetas. Ele não sabia quem eu era ou o que fazia. Perguntei como era o seu consumo de maconha, ele disse que usava desde os 15 anos, estava fumando três ou quatro baseados por dia. A quantidade havia aumentado quando ele entrou na faculdade. “E quando se deu essa sua clarividência sobre a vocação para ser artesão aqui?”, perguntei. Ele disse que uns dois anos antes, quando aumentou o consumo de maconha. Provavelmente ele era um microgênio, para ter entrado na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), e a maconha o reduziu, com todo o respeito aos artesãos verdadeiros, a um pedinte em uma vila. “Descobri que não dou para os estudos” – não, é a sua praia, sim, não é a praia da maconha. Outra história impactante ocorreu há mais de 20 anos, quando atendi um colega cirurgião. Uma situação absolutamente dramática: ele precisava usar opioide injetável para entrar num estado de tranquilidade e poder operar. Acho que foi a situação mais difícil que atendi na minha vida. O terceiro caso que eu destacaria é o de uma mulher. Quando comecei a trabalhar com álcool, eu tinha 13 homens alcoolistas para cada mulher internada por alcoolismo. Hoje, dependendo do mês, tenho um por um. Tem preços específicos que a mulher paga que o homem não paga: o uso de álcool na gravidez, o favorecimento da entrega do corpo contra a cessão de álcool e drogas para a usuária. O caso de uma mãe que deixava o seu bebê chorando de fome no quarto ao lado enquanto ela estava cheirando na sala, não tem como ficar indiferente a isso…

5. Houve um caso assim?

Mais de um. Não é só no cinema, isso aí é realidade.

6. Enxergamos menos a mulher alcoolista.

Porque um dos traços do alcoolismo feminino é a clandestinidade. A mulher de classe média e classe alta, muitas vezes, pede para a empregada ir ao supermercado. Como mostra o filme Quando um Homem Ama uma Mulher (1994), com o Andy Garcia e a Meg Ryan, ela embrulha as garrafas vazias para botar no lixo. Ela bebe escondida do cônjuge. Muitas vezes, é um alcoolismo diurno. Ela esconde garrafas no armário, no meio das roupas, e muito cedo começa a dar problema com os filhos. Às vezes uma criança que é um bom aluno, de repente, começa a ter problemas na escola. Você vai, vai, vai (investigando)… a mãe está bebendo demais.

7. Qual é o impacto para a vida da criança e do adolescente que crescem convivendo com a dependência química dos pais?

Temos um duplo impacto. Um veio de fábrica, determinado pela genética. Sabe-se hoje que existe um fator de vulnerabilidade – se dois jovens são expostos ao álcool, aquele que tem outros casos de alcoolismo na família estará mais vulnerável do que o outro que não tem. A criança que cresce vendo o pai beber, vendo a mãe beber, vendo que em casa não tem nenhum churrasco, nenhuma festa que não tenha bebida, ela vai aprendendo que consumir álcool é compulsório. E aí terá os dois fatores somados, o ambiental e o genético. E como reação, sobretudo à dependência química dos pais, muitas vezes surge, na adolescência, a síndrome pseudomaturacional. Muito cedo, os filhos são convocados à inversão de papéis – um adolescente de 14, 15 anos de repente tem que cuidar do pai, da mãe. Esse quadro produz jovens muito responsáveis, estudiosos e que têm muitas dificuldades nas relações afetivas – não namoram, não transam, não têm amigos. O intelecto, a cognição vão lá na frente, e os afetos ficam ancorados lá atrás. A vida os convocou para um papel adulto que eles não têm nem cérebro para exercer.

8. Deparar com o pai ou a mãe frequentemente intoxicados é algo brutal.

Brutal. A dependência química é a doença mais frequente no país e seu efeito é devastador, não só para o paciente, mas para a sua família.

9. Esse filho tem dois caminhos: desenvolver horror a substâncias químicas ou ter grande risco de embarcar nessa também…

Diria que tem três caminhos. O primeiro é repetir, determinado pela genética e pelo ambiente. Não é o mais comum, mas é bastante frequente. O segundo caminho é isso aí maquiado: “Meu pai é alcoolista, eu não bebo, sou abstêmio, tenho horror disso. Mas fumo três baseados por dia”. Ou seja, trocou seis por meia dúzia, continua na dependência química. E o terceiro caminho é o horror a tudo isso. Adolescentes filhos de dependentes químicos constituem um grupo de risco para vários acometimentos da saúde mental, um deles a própria dependência química.

10. O que mais destrói relações hoje em dia?

O álcool continua sendo a droga mais usada no Brasil, então destrói mais frequentemente. Mas usuários de cocaína aceleram o processo. O alcoolista às vezes demora 20 anos para desestruturar a família, e o dependente de cocaína faz isso bem mais depressa. A droga é tanto mais dependógena quanto mais rápido e quanto menos duradouro é o seu efeito. O crack começa a fazer efeito em dois minutos e cessa em 25, 30 minutos. É uma droga altamente dependógena. O tabaco, mesma coisa. Em uma, duas horas, já passou o efeito da nicotina e você tem que fumar de novo. O álcool demora um pouco mais para fazer efeito e para passar também. Leva anos de consumo excessivo para ficar dependente.

11. O que o senhor tem achado das medidas da administração João Doria, em São Paulo, em relação à cracolândia?

Destrambelhadas. Ele pediu uma autorização que já está dada. Desde 2001, existe a figura legal da internação compulsória. Ele não precisava ter pedido autorização, foi um jogo de mídia. Segundo, tenho um levantamento que saiu há pouco da cracolândia de São Paulo: 13% dos frequentadores não usam droga. Dos usuários de droga, não chegam a 70% os que estão no crack. E quase 80% gostariam de se tratar voluntariamente, se tratamento digno fosse oferecido. Achar que todas as pessoas que frequentam a cracolândia precisam de internação compulsória é próprio de quem não conhece a realidade. Você precisa oferecer tratamento segmentado por subgrupo. Quase 20% dos habitantes da cracolândia estão com sífilis, então você tem que dar tratamento específico. Tem tratamento para o grupo que quer se tratar, para o grupo que está com doença sexualmente transmissível, para o grupo que tem família, para o que não tem família e para o que não quer se tratar e não tem família – bom, esses aqui, sim, internação compulsória, altamente defensável do ponto de vista técnico e humano. Mas não mandar todo mundo. Por que o Doria não fez nada? Aí temos que entrar em outro problema muito sério. O movimento antimanicomial foi um câncer com raízes muito sólidas no Rio Grande do Sul. Foram fechados 130 mil leitos psiquiátricos no Brasil nos últimos 20 anos. Não temos nem onde internar dependentes químicos voluntários, que dirá os compulsórios. O que fazer com o dependente químico? Enfiar onde?

12. É possível recuperar esses pacientes?

Os pacientes compulsórios têm taxa de recuperação menor que a dos voluntários, mas muito maior do que o não tratamento. Não é possível, no século 21, a gente não ter uma alternativa terapêutica para alguém cujo lobo frontal foi comprometido e não consegue, por lesão neuroanatômica, tomar uma decisão sensata sobre a vida. O médico tem que tomar a decisão para salvar a vida dessa pessoa. Senão ela vai pegar aids, sífilis e vai morrer. Onde vamos colocar esses pacientes? É um sério problema, subproduto do movimento antimanicomial. O paciente vai se recuperar se tiver um bom tratamento em que consiga ficar abstêmio e puder dispor de programas sociofamiliares de resgate do vínculo. Costumo dizer que a medicina da dependência química está atrasada. 110% dos pacientes que me procuram gostariam de continuar usando, só que moderadamente. Infelizmente, a medicina ainda não descobriu a pílula da moderação, nem para peso, que dirá para dependência química. Tem que cessar completamente. Existem tratamentos, e grupos de autoajuda como Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos. Tem, sim, chance de recuperação.

13. Um dependente químico muito alterado pelo uso da substância pode provocar mais repulsa do que compaixão. Muita gente não compreende bem a situação dessas pessoas.

Vamos pegar (o exemplo de) uma casa noturna para materializar o que você está falando. Se você chegar movido a álcool, alegrinho, é bem-vindo, está no clima. Se lá dentro continuar bebendo a ponto de se meter numa confusão, os seguranças te jogam na rua. A sociedade trata o dependente químico mais ou menos desse jeito. No passado, fabricava-se um copo de uísque que vinha com três figuras de bichos. A primeira dose, do lado tinha um macaquinho – alegre, simpático, brincalhão. A segunda, um leão – quer briga. E a terceira, um porco – ou seja, bebe como um porco, vomita, faz o diabo. A sociedade trata receptivamente os dependentes químicos no início da carreira. Depois, vem o rechaço.

14. Como o senhor orientou seus filhos?

Muito simples: sexo protegido é saúde, droga é doença. Ia levar a festas, buscar em festas. “Pai, mas todo mundo…”, me diziam. “Você não é da família todo mundo.” Tolerância zero. Não pode beber. Se for para beber, fica em casa. Esse é mais um assunto complexo e instigante, o beber em casa. Hoje está bem documentado que é fator de risco. Na colônia italiana, é parte da cultura, molham o bico (das crianças) no vinho. Me perguntam quando comecei a beber, e minha resposta é safada e verdadeira: com três anos de idade. Minha nona entendia que nada era mais eficaz para a prevenção de gripe no inverno do que gemada com vinho do Porto. Sim, temos que reconhecer que faz parte da cultura, mas não podemos dar as costas para os dados, que mostram que a exposição precoce ao álcool é fator de vulnerabilidade. Pais que sabem onde seus filhos estão, com quem e fazendo o que têm menos droga do que os pais que não sabem. E os pais que entram na história do “todo mundo” estão ferrados.

15.O senhor bebe?

Bebo, todos os dias, dois dedos de vinho. Pego um cálice, me sirvo, fecho a garrafa, ponho na porta da geladeira e sento para jantar. Vivi minha adolescência nos anos 1960 em São Paulo. Sim, experimentei maconha duas vezes na minha vida. (Achei) um matinho fedido. Em momento algum faço a proposta de que o álcool tenha que se tornar uma droga ilícita. Em momento algum faço campanha contra, até porque reconheço que, de cada cinco bebedores, três ou quatro não têm problemas para beber, e pretendo estar dentro dessa estatística. Mas há de se cuidar. Redundância: alcoolismo só dá em pessoa que bebe. Alcoolismo não é uma doença que dá em abstêmios.

 

Fonte: www.antidrogas.com.br

porValdomiro Cardoso

I CAPACITAÇÃO EM EDUCAÇÃO ANTIDROGAS PARA PROFESSORES DAS ESCOLAS INDÍGENAS

I CAPACITAÇÃO EM EDUCAÇÃO ANTIDROGAS PARA PROFESSORES DAS ESCOLAS INDÍGENAS

Data: 31 de maio a 01 de junho de 2019

Local: Cine auditório, UFGD, Dourados – MS

E-mail: tekohamaraney@gmail.com

Fone: 067 9 9806-6208 / 067 9 8401-2633

Tema: Tekoha Marane’ỹ: aldeia sem males.

Internet: www.tekoha.org.br

Data atualização: 15/05/2019

 

APRESENTAÇÃO

O projeto Tekoha Marane’ỹ é uma ação multidisciplinar e interinstitucional com o objetivo de desenvolver um programa educacional curricular específico em Educação Antidrogas junto às escolas indígenas da região de Dourados para a promoção do bem-estar biológico, psicológico e social.

PROGRAMAÇÃO PRELIMINAR

31.05.2019 SEXTA-FEIRA

07h00min Credenciamento e abertura

07h30min Nhembo’e ha jehovasa e apresentação cultural

08h00min Bênção e orientação espiritual (Rev. Beijamim Benedito Bernardes)

08h15min Formação da Mesa (ESCOLAS INDÍGENAS, SEMED, UFGD, M.E.C, Lideranças Indígenas, SESAI, FUNAI, SALVARE, COMAD).

09h00min Conferência 1. Saúde é bem-estar: contextualização histórica, sociológica e econômica. (Dr. Thiago Pauluzzi Justino, psiquiatra, FAMED/UFGD)

09h50min Conferência 2. Saúde Indígena: Teko Resãi (modo-de-ser saudável). (Dra. Zefa Valdivina Pereira, FCA/UFGD)

10h40min Perguntas e debate (ñeporandu)

11h30min Intervalo de almoço

13h00min Conferência 3. Tipos de drogas consumidas em Dourados e consequências legais do (ab)uso de drogas lícitas e ilícitas (Polícia Federal)

14h20min Intervalo

14h40min Conferência 4. Consequências sociais do (ab)uso de drogas lícitas e ilícitas (Assistente Social Bárbara Nicodemos, CRAS Indígena Aldeia Bororó),

15h30min Conferência 5. Consequências psicológicas do (ab)uso de drogas lícitas e ilícitas (PM e Psicóloga Luciane Andriela Cardoso)

16h20min Perguntas e debate (ñeporandu)17h00min Encerramento
01.06.2019 SÁBADO

07h30min Jehovasa08h00min Bênção e orientação espiritual (Pr. Eder Vito)

08h15min Conferência 6. Opções de Prevenção (CAPS AD)

09h10min Orientações pedagógicas (Profa. Ms. Teodora de Souza, NEEI/CEAID/SEMED)

10h00min Reunião dos GT’s (logística, palestras, pedagógica, comunidade)

11h00min Encerramento

REALIZAÇÃO: FAIND/UFGD, ASSSOCIAÇÃO SALVARE, ESCOLAS INDÍGENAS, NEEI/CEAID/SEMED, M.E.C.

PARCEIROS: CRAS, CAPS AD, PF, COMAD Dourados, Rotary, Polícia Militar

COMISSÃO ORGANIZADORA (60 H/A): Teodora de Souza, Valdomiro Cardoso Filho, Neimar Machado de Sousa, Marcio Eduardo de Barros, Jair Vieira da Costa, Andressa Ymara Villas Boas, Edio Felipe Valerio, Josias Aedo, Jorge Sanches, Celia Reginaldo Faustino, Francelina da Silva Souza, Florinda Souza da Silva, Simone Martins Freitas, Jane Alvarenga, Eunice Aedo, Eliete Moreira, Juscilange Rodrigues Sanches, Elizane Silvério Gonçalves, Arlindo da Silva Marcelino, Tatiane Rodrigues, Cicero Gripp, Norma, Adriana, Aginaldo Rodrigues, Elias Moreira, Fernanda Dourado, Maria Regina de Souza, Rubens Pinheiro, Nilva.

PÚBLICO: educadores das escolas indígenas de Dourados e interessados.

porValdomiro Cardoso

Visita Polícia Federal

Hoje estiveram reunidos os participantes da Comissão de Reunião na Escola do Projeto Tekoha Maraney para tratarem da abordagem e estratégias para trabalharem com os pais nas ações previstas.

A reunião foi muito produtiva ficando definido que as abordagens irão considerar o contexto cultural de cada escola, reunindo eles em quatro espaços específicos com pessoal especializado.

porValdomiro Cardoso

ALDEIA JAGUAPIRU PERDE CASA DE REZA EM INCÊNDIO

Na madrugada do dia 08 de julho um Incêndio na Aldeia Jaguapiru dentro da Reserva Indígena de Dourados, destruiu a Casa de Reza que ficava sobre a responsabilidade dos Anciãos Cacique Getúlio Juca e Sra. Alda. O espaço é sagrado para os Guarani-Kaiowá, chamado de Gwyra Nhe’engatu Amba na língua kaiowá, era a última construção para esta finalidade que resistia na terra indígena. Recentemente realizou-se um projeto para reforma, mas infelizmente não foi possível a concretização.

O local era referência cultural da comunidade, recebeu diversos eventos. Também utilizado para orientação espiritual, cantos tradicionais aos mais jovens, além de receber crianças para batismo, benzimento e tratamentos médicos tradicionais. Era o principal meio de conhecimento para o povo indígena. Para os nativos, a casa de reza é mais do que o local de prática de rituais religiosos, é ao mesmo tempo o fortalecimento da resistência do povo Guarani-Kaiowá na região. 

Sua estrutura era feita de madeira e palha fazendo com que o fogo se alastrasse destruindo tudo rapidamente, os moradores tentaram apagá-lo, mas não obtiveram sucesso. O corpo de bombeiros foi acionado, mas não houve tempo suficiente para combater o incêndio.

Por Andressa Ymara Villas Bôas

Revisado por Valdomiro Cardoso Filho

Dourados, 10 de julho de 2019

Missão Evangélica Caiuá

porValdomiro Cardoso

III CAPACITAÇÃO COMAD

 

III Seminário COMAD

 

 

Teve início no último dia 26 de junho o III Seminário de Conscientização do Uso Abusivo de Drogas com o foco nas Relações Intrafamiliares da Grande Dourados, realizado pelo Comad. Na abertura o Presidente Sr. Rogério Fernandes Lemes fez uma explanação sobre as Políticas Públicas Antidrogas adotadas pelo Conselho, apontando para reuniões e parcerias que estão sendo firmadas. Enfatizou ainda, a participação significativa das entidades, totalizando 30 (trinta) instituições, somando 60 (sessenta) conselheiros e suplentes.

Na sequência palestrou a Presidente do Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas (CEAD), Srª Denise Fátima Barbosa Souza e Silva que abordou aspectos históricos e sociais sobre a utilização de drogas pela sociedade. Seu enfoque foi nas Políticas Públicas e suas implicações diante do quadro da política atual, orientou quanto as atribuições dos Conselhos Municipais e Estaduais.

No segundo dia do Seminário, deu-se início ao ciclo de palestras com a Psicóloga Tanise de Oliveira Fernandes falando sobre o Olhar da SESAI na Saúde Indígena enfatizando os aspectos das ações na saúde primária e prevenção do uso abusivo de drogas lícitas e ilícitas. Falou ainda sobre os aspectos da Reserva Indígena de Dourados, terras, acampamentos e retomadas, considerando que a área tem uma superpopulação concentrada nas aldeias. Enfatizou que o uso abusivo de álcool e drogas ilícitas (maconha e crack) tem um grande impacto nas famílias e no aumento de violência.

Fizeram uso da palavra a Assistente Social Barbara Jandaia de Brito Nicodemos que orientou quanto as problemáticas das famílias desestruturadas em nossa sociedade, da importância de investimentos nas políticas públicas e análise quanto as estruturas sociais da contemporaneidade. O antropólogo Waldenir Bermini Lichtenthaler trouxe importantes informações sobre o contexto da formação da Reserva Indígena de Dourados e suas implicações no decorrer da história, considerando os aspectos étnicos, culturais e sociais a qual os indígenas são submetidos na sua vida diária.

Durante a tarde a equipe do canil do 3º BPM-PMMS-Dourados-MS fez uma apresentação com os cães e as técnicas para localizar objetos. Na sequência a Psicóloga e Mestre Rosemeire Souza Martins abordou os temas Adolescentes e Drogas Prevenção e Uso, Arte de adolescer. Muitos casos da utilização de drogas estão relacionados com o contexto familiar, quando a criança entra na puberdade e adolescência ocorrem.  diversas alterações, crises e conflitos que acabam agravando a incidência de jovens nas drogas e até mesmo suicídio.

Durante o evento foram realizadas homenagens do Legislativo Municipal para os Conselheiros e Palestrantes com Moções Legislativas.

 

Por: Valdomiro Cardoso Filho